Antigo Testamento Vinícius Andrade

Jesus pregou aos mortos? | Estudo Bíblico

Uma das questões mais difíceis do Novo Testamento é se Jesus quando estava morto, antes de ressuscitar, teria ido ao inferno pregar aos mortos?

Temos duas passagens principais que dão base para essas argumentações, são elas:

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;
No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água.”
(1 Pedro 3:18-20)

“Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito.”
(1 Pedro 4:6)

Sabemos que a salvação somente é dada por Deus enquanto a aceitamos em vida.

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo”
Hebreus 9:27

Devemos entender as diferenças da palavra inferno que aparecem na Bíblia.

A palavra “inferno” aparece em várias traduções da Bíblia como sinônimo de outras palavras usadas para descrever o “mundo dos mortos”

Vejamos algumas delas:

  • Sheol – é o nome hebraico para o lugar onde os mortos vão. Também pode ser traduzido como sepultura ou profundezas. O Sheol era visto como dormir, um sono profundo.
  • Hades – essa palavra é emprestada da mitologia grega pagã mas quando é usado na Bíblia não significa o mesmo, é apenas a palavra mais próxima na língua grega para traduzir “Sheol”.
  • Geena – é o nome usado para o lugar de eterno tormento dos ímpios, que hoje chamamos de inferno. Geena era o nome de uma lixeira fora de Jerusalém, onde se queimava lixo e os corpos de criminosos. Como era um lugar horrível, Geena se tornou figurativo do destino dos ímpios na eternidade.
  • Tártaro – outra palavra emprestada da mitologia grega, com o mesmo significado que Geena. Tártaro só aparece em 2 Pedro 2:4.
  • Abismo e Lago de Fogo – essas figuras, e outras que aparecem na Bíblia, servem para entendermos que o inferno é um lugar terrível, de destruição, tormento e tristeza.

Existem 3 interpretações mais conhecidas para essas passagens

  1. Jesus pregou o Evangelho para aquelas pessoas que antes do diluvio ouviram a pregação de Noé, mas não creram.
  2. Jesus pregou a Anjos Caídos, nesse caso, proclamou sua vitória, pois para eles não existe mais salvação.
  3. Jesus pregou através de Noé pelo Espirito.

Defendo a 3° Interpretação como a mais coerente, na qual Jesus pelo Espirito Santo pregou o Evangelho de arrependimento aos antediluvianos por intermédio de Noé.

E qual seria a “prisão” mencionada em 1 Pedro 3:19?

A Bíblia nos diz que a prisão é o pecado.

“Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao Teu nome…”(Salmo 142:7)
“Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Provérbios 5:22).
Um dos atos do Messias seria “tirar da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas”(Isaías 42:7).

E isso foi feito por Jesus, para todos aqueles que O aceitaram como Salvador.
Portanto, podemos dizer que o texto de 1 Pedro 3:18-20 afirma que Jesus, através da atuação do Espírito Santo em Noé, pregou aos antediluvianos, mas somente oito deles (Noé e sua família) aceitaram a pregação e foram salvos.

Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada,
Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.
(1 Pedro 1:10,11)

Noé o Pregador da Justiça

Pedro considerava Noé um pregador da justiça, no caso enquanto Noé preparava a Arca ele pregava o arrependimento aquelas pessoas de sua época, aos quais não receberam sua pregação.

E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, a oitava pessoa, o pregoeiro da justiça, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios;
2 Pedro 2:5

Aceitando essa interpretação Mario Persona faz alguns acréscimos a esses textos para uma melhor compreensão.
Obs. As palavras em Colchetes são acréscimos do autor.

Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual [O Espírito] também foi, e pregou [por intermédio de Noé] aos espíritos [agora] em prisão; Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água…”
“Porque por isto foi pregado o evangelho também aos [que hoje estão] mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito;”
1 Pedro 3:18-20; 4:6.

Reflexão

Espero que este estudo possa trazer uma breve reflexão e uma “luz” sobre esse texto que é de difícil interpretação, e por ser de difícil interpretação demandaria um estudo exaustivo para uma definição concreta.
Lembrando que essa carta de Pedro nos traz uma reflexão a respeito do sofrimento, pois trata da vida de pequenas comunidades inseridas na sociedade em um contexto social amplo.

O sofrimento é enfrentado pelas pessoas em seu cotidiano. Elas enfrentam o sofrimento porque se identificam com o evangelho em meio a uma sociedade em que o mal e a injustiça são considerados normais. O povo cristão, pelo contrário, aprendeu de Jesus e das comunidades cristãs que Deus ama a misericórdia e a justiça. E felizes são as pessoas que têm fome e sede de justiça, praticam e promovem a paz (Mt 5). Como são cristãos que vivem dispersos na diáspora, é fácil viver como todos vivem na sociedade em que ser injusto, corrupto, mau, levar vantagem em tudo, viver do jeitinho brasileiro é algo normal e naturalizado. Os membros das comunidades pequenas são contra e por isso sofrem em sua vida diária, no trabalho, no convívio, na grande família. É o sofrimento por causa do evangelho de Jesus Cristo. O que fazer? Desistir de ser cristão?

Não. A carta convoca-os para fazer a diferença. E isso em duas direções. Primeiro, afirma que o sofrimento não é o fim. Jesus assumiu o sofrimento no contexto da realização da promessa de salvação. Esse seu sofrimento é vicário, isto é, em lugar do outro e da outra. Ele sofreu chicotadas no corpo todo, pregos nas mãos e nos pés, fisgadas com lança no lado do corpo e morte na cruz por nós e em nosso favor. Nesse caminho, Jesus Cristo conquistou para nós a ressurreição por graça.
Fonte: http://www.luteranos.com.br/

Vinícius Andrade

Sobre o autor | Website

Estudante de Teologia do Centro Universitário Cenecista de Osório. Pertence a Igreja Nova Vida em Cristo de Gravataí/Rio Grande do Sul.

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