A Tentação de Jesus no Deserto

Durante a Tentação de Jesus, no deserto da Judeia, Satanás tenta fazer com que Jesus caia em erro em três categorias principais de pecados, que são inerentes aos instintos humanos. O ser humano, como uma unidade biológica e espiritual ao mesmo tempo, tem tendência a exagerar nas suas necessidades materiais e psicológicas, o que geralmente o conduz ao pecado.

As Três Principais Categorias são:

  1. As necessidades fisiológicas;
  2. As necessidades espirituais; e
  3. As necessidades de autoestima e poder.

Pedras em Pão

1 – Na primeira tentação, o adversário ataca, de uma forma sutil, as necessidades fisiológicas de Jesus, que vinha de uma dura privação após 40 dias sem se alimentar. Essas necessidades não envolvem apenas alimento, pois o corpo humano tem necessidade de comida, bebida (daí envolve dinheiro), e também de descanso, sono, sexo, abrigo, proteção, carinho, amizade, amor e muitas outras que são necessárias ao perfeito funcionamento do corpo.

Esse texto nos revela que o tentador estuda as nossas necessidades mais em evidência, e as usa contra nós mesmos, para venhamos entrar em pecado contra o nosso Criador. São áreas da vida humana em que a tendência ao pecado pode se manifestar. Por isso temos que conhecer a nós mesmos.

Temos que procurar fazer um autoexame, e entender onde temos maiores fraquezas, para podermos andar vigilantes nessas áreas. Todos temos necessidades, e o nosso adversário as usa para nos enfraquecer.

Por isso o tentador manda que Jesus transformasse “pedras em pães”:

“E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.” Mateus 4:3

Mas o que haveria de errado, em transformar pedras em pão? O próprio Jesus não transformou a água em vinho, no casamento em Caná da Galiléia?

– Nas tentações de satanás, é normal que esperássemos coisas muito mais óbvias e imorais, do que lemos nos textos do livro de Mateus. Porém ao invés disso, vemos que o nosso adversário seleciona temas bem sutis, que vão ao nível do “subentendido“. É uma tentação profunda, algo que testa o nosso Senhor no extremo da Sua capacidade e do Seu conhecimento das Escrituras.

O que satanás pedia que Jesus fizesse, era algo que “aparentemente“beneficiaria a Jesus e a raça humana”. Jesus não comia há 40 dias, o que o colocava nos limites do que o corpo humano poderia suportar. E Jesus precisava sobreviver para cumprir a Sua missão de salvar a humanidade.

Trazendo para os nossos dias, muitas pessoas podem pensar que se algo é moral, e traz benefícios, então esse algo não pode ser pecado. Mas a verdade é que nem sempre é assim.

E a explicação a essa tentação está em camadas profundas, encontradas na resposta que Jesus dá ao diabo:

“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” Mateus 4:4

O nosso Mestre está citando as palavras de Moisés , em Deuteronômio 8:2-3, quando aquele grande líder de Israel fazia alusão ao povo no deserto, quando as provisões de comida acabaram, eles, rebeldes, ao passarem por essa dificuldade da falta de alimento, murmuraram contra Moisés e contra Deus, desejando voltar à escravidão do Egito.

Vamos recordar esses trechos da Palavra de Deus?

“E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera tivéssemos morrido por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão”.

“Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não”. Êxodo 16:3,4

E:

“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não”.

“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”. Deuteronômio 8:2,3

O que o povo não compreendeu é que Deus, muitas vezes, usa de privações das nossas necessidades, para provações, para provar se estamos mesmos dispostos a obedecer aos seus mandamentos. E no primeiro dia de provação, eles demonstraram a sua falta de confiança em Deus para com eles.

Agora temos que lembrar que Jesus estava andando nos mesmos passos do povo de Israel no deserto. Há uma similaridade. O povo peregrinava no deserto. Jesus foi conduzido ao deserto. O povo ficou sem provisões (sem comida) e fazia um jejum obrigatório. Jesus estava sem comer a 40 dias, em um Jejum voluntário, e etc.

O que Jesus estava fazendo, era uma representação do que havia acontecido com povo de Deus no deserto. O povo errou, pecou por não saber esperar a providência divina e murmurou contra Moisés e Arão e contra Deus. O povo não teve fé em Deus, e a falta de fé é pecado.

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. Hebreus 11:6

“e tudo o que não é de fé é pecado.” Romanos 14:23

Já agora, Jesus, não cai nessa mesma cilada. Ele sabe que tem que esperar, Ele não transforma as pedras em pães porque estaria de certa forma violando a necessidade de TER FÉ, que as Suas necessidades estariam sendo preenchidas pelo Eterno.

“Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos.
Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas”.
Lucas 12:29,30

E após a tentação, é justamente isso que ocorre. Jesus é recompensado, Ele passou na provação, e é atendido:

“Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam”. Mateus 4:11

Lança-te Daqui Abaixo

se tu és o filho de deus lança-te daqui abaixo

2 – O homem tem em si mesmo uma dualidade excepcional, que não foi dada a nenhum outro ser criado. Somos o pó da terra, mas recebemos o sopro divino, o fôlego de vida, um espírito que nos conecta com o nosso Criador. E como seres espirituais, somos filhos de Deus, temos a necessidade de contato com o nosso Pai celeste.E a evidência da nossa espiritualidade é viver na dependência de Deus, como explicamos no item anterior desse nosso estudo. Porém o nosso tentador, vem até Jesus e usa dessa dependência divina para lhe atacar a fé:

“E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra”. Mateus 4:6

E veja que ele se utiliza do Salmos 91, tirando-o do seu contexto original, distorcendo a sua mensagem, para fazer com que Jesus incorresse em erro e tentasse a Deus:

“Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra”. Salmos 91:11,12

Satanás novamente entra no aspecto da sutileza. Ele não usa de mentiras “inteiras”. Ele usa de “meias-verdades”. Comumente ele mescla mentiras com algum “fundo de verdade”. Foi assim desde o princípio com Eva.

Ora, Jesus sabia que apesar de podermos contar com a ajuda de Deus, ainda assim, esta não deve ser o nosso objetivo principal. Mas como assim? Não devemos contar com a ajuda de Deus, então? Bom, sim e não. Podemos contar com a ajuda divina, mas não podemos nos colocar em situações em que essa ajuda vai ser necessária. Deu pra entender?

Vamos analisar isso mais de perto. Fazer deliberadamente algo, ou tomar atitudes, ou realizar ações ou omissões que você sabe que não vai conseguir arcar com as consequências, e que vão exigir uma ajuda divina, constitui o pecado de TENTAR A DEUS.

Isso tem a ver com AUTOSSABOTAGEM. Um exemplo muito simples é , se você sabe que em determinada rua está acontecendo um tiroteio, você deve evitar passar por essa rua. Se você insistir em por lá passar, você não pode invocar a proteção divina, pois isso é tentar a Deus. Você sabe do que pode acontecer.

Autossabotagem – tentar a Deus – fazer tudo errado, sabendo que vai se colocar em posição de risco, e usar como desculpa que Deus vai socorrer.

autossabotagem Autossabotagem é Tentar a Deus.

A autossabotagem também é um tipo de “tentação a Deus”. Se você toma medidas, ações, ou omissões que você sabe que vão dar errado no final, e como desculpa você invoca a proteção divina, você estará tentando a Deus.

Não tome ações que vão te levar ao fracasso. Tem gente que no decorrer de suas vidas, vão fazendo “tudo errado”. E como vão terminar? Se você toma todos os passos para a falência de uma empresa, por exemplo. Não trata bem os clientes, não põe bons produtos, não pratica preços competitivos, trata mal os funcionários. Como terminará esta empresa? É obvio que vai falir!

Então você não pode se lançar do pináculo do Templo, nem do topo de um prédio, e depois pedir pra que Deus mande anjos pra te socorrer! Igualmente, você não pode tratar mal a sua esposa, ou o seu marido, ou o seu filho, e depois achar que a sua família tem que ser feliz.

Você não estuda, não se esforça, não lê livros, não faz os exercícios propostos, não dá atenção aos seus professores, fica tempo demais no facebook, como vai ter boas notas nas provas?

Não tente a Deus! Ou seja, tome todos as atitudes necessárias para não precisar de uma intervenção divina. Agora, se você fez tudo que estava ao seu alcance, depois disso, não temas em pedir o auxílio do nosso Pai celestial. Ele ouve aqueles que o podem em sinceridade, mas não aqueles que o tentam.

Não se autossabote. Você pode inconscientemente estar tomando decisões que vão te levar ao fracasso! Comece a dar os passos certos, tome atitudes corretas. Faça como Jesus! Veja como Ele respondeu ao diabo:

“Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”. Mateus 4:7

Se Prostrado me Adorares

“Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” Mateus 4:8,9

3 – A “oferta” dos reinos do mundo está ligada tematicamente com a necessidade de autoestima, situada no topo da pirâmide das necessidades humanas. Todo mundo tem necessidade de autoestima. Existe um gráfico chamado Escala de Maslow, que representa bem a escala hierárquica das necessidades humanas.

A Escala de Maslow

escala de maslow na tentação de jesus A Tentação de Jesus e a Escala de Maslow.

Frequentemente a necessidade de autoestima está entrelaçada com o exercício do poder. Quando alguém é promovido para exercer algum tipo de chefia, logo sente que sua autoestima fica em alta.

Não é errado querer progredir, supervisionar, ter uma boa mente sobre si mesmo. Não é errado desejar uma promoção, que é algo que te dá um “certo poder”. Mas tem que ter em vista que o poder, primeiro, deve ser usado sempre para promover o bem comum. E não se deve perseguir o poder por meios escusos.

Era isso que satanás queria que Jesus fizesse. Que Jesus tivesse acesso ao poder, mas sem mérito. Por meio da adoração do diabo. Jesus sabia que o Poder e o Reino lhe seriam entregues, mas não sem antes passar pela CRUZ! Não sem sofrimento, sem sacrifício. Não há atalhos nos planos de Deus!

Nós também não podemos nos sujeitar a prejudicar um colega de trabalho, nem falar mal de ninguém para sermos promovidos, ou ganhar qualquer tipo de recompensa. Temos que seguir a verdade dos fatos. Não podemos também aceitar propostas indecentes, “pra se dar bem”, propinas, corrupções. Há que ter mérito, que muitas vezes demanda sacrifícios.

Ou seja, muitas vezes há a necessidade de acordar cedo, estudar, trabalhar longas horas, de se esforçar para conseguir chegar a algum ganho na vida. “Não há almoço grátis”!

Por isso Jesus respondeu de forma eloquente:

“Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. Mateus 4:10

Porque é somente por meio da verdade, da correta adoração a Deus, que passa por nossas ações cotidianas, em amor ao próximo, é que a recompensa virá.

Sobre o autor | Website

ישראל סילבה Casado com Ana Paula Curty, papai da Sarah Curty, formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, e Contexto Judaico do Novo Testamento, é Especialista em Estudos da Bíblia Hebraica, certificado pelo Israel Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém; Apocalipsismo Judaico, pela Keets alMayim.

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