Quem Eram os Romanos no Tempo de Jesus?

Um dos mais importantes fatores na época de Jesus, o primeiro século, sem dúvida foi Roma. Muitas palavras de Jesus foram respostas ao ambiente e as ações que os Romanos provocaram, e, nesta página vou destacar essas respostas de Jesus pondo os versos correspondentes entre parênteses.

No ano 63 antes de Cristo o General Pompeu entrou com suas tropas em Jerusalém. Sua primeira parada foi ao mais sagrado local dos Judeus, o Templo. E ele entrou diretamente no lugar que era proibido aos gentios, o Santo dos Santos.

Pompeu entrou, parou, olhou e riu, gargalhou do Deus dos Judeus. Ele pensou que encontraria ali o mais sagrado de todos os deuses da Palestina, talvez um ídolo grandioso, feito em ouro e pedras preciosas. Mas tudo que ele encontrou foi um lugar vazio.

Os gentios voltavam a dominar o povo Judeu. Exceto por um período de aproximadamente cem anos depois da revolta da Macabeus, esta condição foi a mesma que o povo de Israel teve de suportar por mais de 400 anos. Primeiro foram os Babilônios, depois os Persas, e os Gregos, os Egípcios, os Sírios e agora os Romanos.

A Paz Romana

Quando os Romanos vieram, eles trouxeram com eles altas taxas de impostos, e uma quase inimaginável brutalidade. O fardo e a humilhação que Roma colocava sobre os cidadãos comuns era virtualmente insuportável.

Havia uma frase muito conhecida em Latim, “Pax Romana” que traduzida é “Paz por meio de Roma” ou “Paz Romana”. Roma prometia que se as nações se submetessem a César, eles lhes trariam paz e prosperidade.

Porém, a paz Romana veio por meio de força brutal e dominação absoluta. Roma trouxe paz pela absoluta destruição de seus inimigos. Eles tinham um exército tão bem treinado e equipado, que trazia medo às nações. (“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.” João 14:27).

A Crucificação

Ainda, o instrumento de maior intimidação de Roma, não era a espada, mas a cruz. Os Romanos não inventaram a crucificação, mas eles a aperfeiçoaram e a usavam com frequência.

A crucificação era a mais dolorosa e humilhante morte possível. Levava cinco ou mais dias para uma pessoa crucificada morrer. E cada minuto era de uma dor inimaginável. A vítima tinha as suas roupas removidas e ficava nua na cruz. Todos os inimigos do crucificado poderiam assistir esse horrendo ato e ainda insultar o seu inimigo.

Os Evangelhos nos falam que os Romanos insultaram Jesus dessa forma. Não era incomum os Romanos erguerem muitas cruzes, formando uma linha de crucificados, que chegavam até dentro das cidades.

O Historiador Flavio Josefo menciona que os Romanos crucificaram quase 10 mil pessoas em Jerusalém, durante as diversas rebeliões que ocorreram antes do ano 70 da nossa era. Alguns estimam que aproximadamente 200 mil Judeus foram crucificados por Roma, em todo o período de ocupação da terra de Israel.

A brutalidade de Roma era parte da vida diária no tempo de Jesus. Por exemplo, um soldado Romano tinha o direito de exigir que qualquer Judeu carregasse qualquer coisa que precisasse ser deslocada, por até uma milha – 1,6 km (“E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.” Mateus 5:41).

O fracasso em cumprir qualquer demanda dos Romanos era geralmente punido com tapas no rosto (“mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;” Mateus 5:39).

Os Impostos

Mas a brutalidade de Roma não era o único fardo que um Judeu comum tinha que suportar. Impostos excessivos destruíam mais vidas do que a espada. As altas taxas faziam com que as famílias vivessem em desespero.

Os impostos pela terra, pelas vendas e impostos extras, como o imposto pelo sal, e pela construção do Templo, corrompia o sustento das famílias. Muitos dos pequenos proprietários não conseguiam pagar seus impostos. Então os ricos se propunham a pagá-los, porém os pobres tinham que abrir mão de suas terras e se tornar servos dos ricos.

Terra era tudo que o povo de Israel possuía. A terra que eles tinham era a terra que herdaram dos seus antepassados, da promessa que Deus havia feito com seus pais. Mas muitos tinham que vender aquilo que lhes dava identidade, para pagar os débitos inventados pelos Romanos.

Em muitos casos, havia uma tenebrosa progressão reversa. De proprietário de terra para servo trabalhador, depois para trabalhador endividado (era cobrado imposto por simplesmente estar vivo), e de devedor para escravo (para pagar os impostos acumulados) ou terminava na prisão (“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;” Mateus 6:12).

Por esses fatos, os ricos se tornavam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. A terra cada vez mais se concentrava nas mãos de poucos. A maior parte da população vivia na pobreza e muitos estavam desnutridos, e tinham que se alimentar com gramíneas e raízes.

A disparidade entre os ricos e os pobres era de longe muito maior do que nos dias atuais (“Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.” Lucas 6:24).

Não é de se admirar que na revolta dos Judeus, o primeiro ato dos rebeldes foi queimar todos os registros de dívidas em Jerusalém.

Os Romanos não coletavam impostos diretamente. Eles vendiam o direito de coletar esses impostos em leilões. Nos Evangelhos, nós lemos frequentemente sobre os coletores de impostos, como no caso de Zaqueu. Eram pessoas que na verdade pagavam a Roma pelo direito de extorquir seu próprio povo.

Os Romanos traziam consigo não somente violência e impostos excessivos, mas também paganismo. Eles adoravam um panteão de deuses, e mesmo o imperador César era considerado um deus. Muitos templos aos deuses Romanos e a César foram construídos na Terra Santa. Mas vamos ver mais detalhes de tudo isso que escrevemos, até aqui no nosso curso, a Vida e a Obra de Jesus.